Magma latino
Cinquenta anos sem Villa, compositor universal, cidadão do Brasil.
Villa-Lobos é o índio de casaca, o ibérico de penacho, o africano “característico”. No Brasil, está para a música erudita assim como Glauber para o cinema, como Oswald para a poesia, como Oiticica para as artes plásticas. É o compositor que inspira Tom Jobim e seus pares.
Modernista, integra a Semana de 22. Vai a Paris e volta “cheio” de Villa-Lobos. Alia-se ao regime para difundir o ensino musical em projeto gigantesco. Reúne 40 mil vozes em estádio de futebol. Viaja o mundo e torna-se sinônimo de Brasil. Villa quer reconhecimento como compositor universal – e conquista, ainda em vida.
Em sua controversa e pitoresca biografia, conhece o país e o espelha em sua música. A gente brasileira cobre de afeto seu extenso catálogo. Impregnada de delírio tropical, sua obra é reflexo de personalidade exuberante. Villa deixa-se levar pela tormenta.
“A fúria organizando-se em ritmo”, refere-se Drummond. “Quase desnorteante, ora selvagem, ora brasileiramente sentimental”, conclui Mário de Andrade. “Magma sonoro”, diz Gilberto Mendes.
Villa é impressão profunda de todo um Brasil.
Villa-hoje continua inspirando. A antropofagia jazzística do Projeto B, no álbum A viagem de Villa-Lobos, embala a efeméride. Villa livre, experimental, potencialmente novo. A adaptação de “Saudades das selvas brasileiras nº 1” é de Leonardo Muniz Corrêa.
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