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  • João Gilberto e Ney Matogrosso (dir.) participam de gravação de programa dirigido por Fernando Faro. Disco Chega de saudade, lançado em 1959, registra a nova estética do samba. CEDOC FPA / Reprodução

    Retrato de João

    Vilmar Bittencourt | 07.06.2011

    Na contracapa de seu primeiro álbum assinada por Antônio Carlos Jobim, João Gilberto era apresentado como um baiano “bossa-nova” de 27 anos. Corria 1959 e João faria 28 ainda naquele primeiro semestre. Em suas cinco décadas de carreira e 80 anos de vida, ele impressionou, seduziu e surpreendeu um número substancial de admiradores mundo afora. A partir de “Chega de saudade”, ao lado de Jobim, colocou o Brasil no mapa do cancioneiro popular mundial de primeiríssima qualidade.

    João Gilberto completa 80 anos em 10 de junho de 2011. Para celebrar, Cultura Brasil joga na rede e coloca no ar a trilogia “Retrato de João”. Os três episódios firmam-se na recente série de entrevistas com Ruy Castro, Zuza Homem de Mello, Roberto Menescal, Miúcha, Moraes Moreira, Oscar Castro Neves e João Donato.

    “Retrato de João” é musical. Portanto, preza pela seleção cuidadosa de faixas do repertório do homenageado. Seguindo esse princípio, optou-se pela utilização de edições em vinil dos três primeiros LPs de João Gilberto relançados há 20 anos. Os álbuns posteriores, nas versões em CD, completam a lista de canções da minissérie que adota processo cronológico para exposição de sua essencial e enxuta discografia.

    “Retrato de João” é documental. Além da série de entrevistas exclusivas realizadas em maio de 2011, o programa lançou mão do arquivo de depoimentos ao TodaMúsica. Histórias contadas espontaneamente por participantes do semanal como Carlos Lyra, André Midani e Durval Ferreira abordam a época do surgimento da bossa nova e de seu principal intérprete. Entre esses contemporâneos de João Gilberto, está Tito Madi que, de maneira humorada, relembra sua amizade com o baiano com quem morou junto e viveu episódio controvertido nos bastidores da TV Record, um tolo desentendimento que resultou em célebre violada na cabeça, bem ao estilo de El Cabong.

    Entre os áudios de arquivo selecionados para “Retrato de João” estão depoimentos de Bebel Gilberto, Gal Costa, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, cabeça de Novos Baianos, que revela o toque do mestre em Acabou Chorare, disco principal do grupo. Conterrâneo de João Gilberto nascido em Juazeiro, Galvão conta sobre a amizade que os unia coroada pelos passeios de bicicleta e serenatas à beira do São Francisco.

    “Retrato de João” não entrevistou o homenageado. Aliás, poucos conseguiram tal façanha. Adepto de conversações telefônicas não gravadas, João Gilberto gosta de falar e tocar violão para seus interlocutores do outro lado da linha. A reclusão reforça o mito do músico que, como um monge, exercita-se para oferecer o melhor de sua arte transcendental. E o silêncio? A resposta vem de Caetano Veloso: “Melhor do que o silêncio só João”.
     

    • Retrato de João (Pgm 1)

     

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    comentários

    Haydée Gonçalves Melo
    Haydée Gonçalves Melo

    Que privilégio ouvir este especial!


    Concordo com a Mana, também conheço o trabalho e a dedicação desse "moço" que merece o maior respeito do público que o consagrou, parabéns a Rádio e a seus dirigentes pelo nível de seus profissionais. O Brasil merece isso, pela sua Cultura, e é ela que agradece....Parabéns Vilmar Bittencourt e a sua equipe também....

    Maria Luiza
    Maria Luiza

    Programa maravilhoso!!!!! Eu não poderia mesmo esperar outra coisa desta Rádio e deste moço que o produziu e dirigiu. Um beijo em todos. Mana