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  • Valentes e amigos, mas nem sempre

    Eduardo Weber | 23.09.2010

    As histórias contadas neste programa ainda se referem ao ano de 1934, que os biógrafos do Poeta da Vila consideram como crucial para sua vida.

    O título nos remete a convivência do compositor com a malandragem, ou melhor, com os malandros que ele admirava ao ponto de imitá-los em muitos sentidos, mas sem a coragem e a navalha no bolso, documentos necessários para avalizar o seu verdadeiro papel social.

    No fundo, Noel Rosa é descrito como um malandro medroso. Um falso malandro, o malandro dos gestos. O artista muitas vezes contava com a proteção dos autênticos e verdadeiros valentões, como Zé Pretinho e Germano Augusto. O pagamento era sempre da mesma forma. A moeda era o samba. Noel Rosa às vezes arrumava a letra para um, dava a parceria para outro, ou entregava tudo pronto para quem estava prestigiado e fim de conversa. Tudo acertado, mas nem sempre...

    Tem aquele caso famoso no qual o acerto foi na marra, que rendeu um tremendo sucesso do carnaval de 1934, o samba “O orvalho vem caindo”, cujo parceiro de arrumação, Kid Pepe, era na verdade o boxeador italiano radicado no Rio de Janeiro, Giuseppe Gelsomino, que um dia decidiu ser sambista. Tanto é que um repórter do jornal O Globo deixou bem claro aos leitores em fevereiro daquele ano: “Noel Rosa entrou com a letra e a música e Kid Pepe, com a malandragem”.

    Este episódio de Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época apresenta causos cujos desfechos não foram assim um mar de rosas para o artista de Vila Isabel e, que mesmo assim, nunca deixou de dar o troco. O troco era sempre da mesma forma. A moeda era o samba. Só que era uma nota bem graúda, aquela que todo malandro gostaria de ter, mas poucos tinham o verdadeiro talento para obtê-la.

    • Valentes e amigos, mas nem sempre - As histórias e os sons de uma época


    REPERTÓRIO

    “Escola de malandro”, com Noel Rosa e Ismael Silva (Noel Rosa e Orlando Luiz Machado)
    “O orvalho vem caindo”, com Almirante (Noel Rosa e Kid Pepe)
    “Implorar”, com Moreira da Silva (Germano Augusto, Kid Pepe e J. S. Gaspar)
    “Se a sorte me ajudar, com Aurora Miranda e João Petra de Barros (Noel Rosa e Germano Augusto)
    “Uma dor e uma saudade”, com Orlando Silva (Zé Pretinho e Reis Saint Clair)
    “Não foi por amor”, com Orlando Silva (Noel Rosa, Zé Pretinho e Germano Augusto)
    “De qualquer maneira”, com Déo (Noel Rosa e Ary Barroso)
    “Voltaste”, com Aracy de Almeida (Noel Rosa)
    “Não sei que mal eu fiz”, com Mário Reis (Heitor dos Prazeres)
    “Tenho raiva de quem sabe”, com Mário Reis (Zé Pretinho e Kid Pepe) Jaime Vogeler – “Amar é muito bom” (Zé Pretinho / Manuel Ferreira) Aracy de Almeida – “Século do progresso” (Noel Rosa)

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