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  • Posteridade: Noel Rosa revisitado

    Eduardo Weber | 20.12.2010

    Dia 16 de setembro de 1992, uma quarta-feira, às 17 horas, a Rádio Cultura transmitia o último episódio da primeira série de longa duração sobre um personagem da música brasileira produzida na emissora: Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época.

    Depois detalhar a vida e obra do Poeta da Vila, João Máximo e Carlos Didier no episódio de número 34, com duas horas de duração, apresentaram ao público uma seleção musical intercalada por breves comentários do que a “elite” da música brasileira registrou do compositor a partir dos anos 1950 até aquele momento.

    O texto de abertura anunciava:

    “Entre os muitos detalhes que fazem de Noel Rosa um compositor popular único, está o de ser ele o mais revisitado entre todos os que fizeram parte da chamada 'época de ouro' da música brasileira. Ou seja: nenhum outro tem sido tão regravado, tão parte dos repertórios dos grandes intérpretes, muitos dos quais nascidos anos após a morte do Poeta da Vila, a 4 de maio de 1937.

    Ao longo dessa série, das 259 obras de Noel Rosa levantadas por João Máximo e Carlos Didier em seu livro Noel Rosa – Uma biografia, 220 foram mostradas, ou em suas gravações originais, ou em registros feitos especialmente para esses programas por Vânia Bastos, Eduardo Gudin, Ná Ozzetti, Nelson Ayres, Luca Raele, Caôla, Sérgio Chica e Pedro Mourão.

    Hoje, focalizaremos o Noel Rosa que todo mundo conhece: dos clássicos e dos sucessos, das canções eternas e dos sambas históricos. Mas um Noel Rosa, acima de tudo, com uma posteridade maior e, de certa forma, mais sonora do que os seus 26 anos de vida.

    A um Noel Rosa revisitado - regravado pela elite da música popular brasileira de sempre - é dedicado este último programa da série Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época.”

    Escrito há 18 anos, o texto mantém a atualidade. Basta atentarmos aos CDs lançados no período que tem em seu título o nome Noel Rosa. A nossa discoteca conta com mais de 30 trabalhos diferentes. Alguns deles apresentam gravações originais de Noel e seus contemporâneos, incluindo uma coleção de sete volumes duplos com as primeiras gravações de suas músicas, onde foram incluídas as gravações realizadas especialmente pela Rádio Cultura para esta série.

    De 1992 para cá, a “elite” da música brasileira seguiu gravando Noel Rosa. Vale citar os dois volumes do Tributo a Noel Rosa – Viva Noel, de Ivan Lins; o CD Noel Rosa, de Johnny Alf e Leandro Braga; Chico e Noel em revista, do grupo Garganta Profunda; Noel por Ione, trabalho da cantora Ione Papas; Beth Sodré canta Noel de Medeiros Rosa; Canções de Noel Rosa com Cristina Buarque e Henrique Cazes; e uma infinidade de discos que no repertório conta com uma ou mais músicas do compositor.

    Como estamos no centenário de seu nascimento, vale destacar os discos que a Rádio Cultura Brasil recebeu em 2010 em homenagem ao compositor: Banda Jazz Sinfônica de Diadema interpreta Noel Rosa; o novo CD de Martinho da Vila, Poeta da cidade – Martinho canta Noel; a trilha sonora do filme Noel, Poeta da Vila; e um CD que é o resultado de show comemorativo ao centenário do compositor: Uma noite... Noel Rosa, com participações de Zeca Pagodinho, João Bosco, Diogo Nogueira, Roberta Sá, Zé Renato, Rodrigo Maranhão, Ney Matogrosso e Anjos da Lua, o que comprova mais uma vez a atualidade do texto de João Máximo e Carlos Didier: a “elite” da música brasileira continuará gravando Noel Rosa.

    Encerramos essa apresentação com o parágrafo final da série, quando João Máximo anuncia a última música da série: “Quem ri melhor”.

    “Trata-se de um samba sem a tristeza de algumas das obras de Noel. Um samba pra cima, alegre, impregnado de sabedoria e coragem. Do seu último carnaval, os versos acabam resumindo sua filosofia de vida. Ou uma de suas filosofias de vida: o poeta que viveu pouco, mas intensamente. O boêmio que zombou da sorte e foi por ela vencido. O menino da Vila, o malandro medroso, o grande compositor popular parece ser maior hoje do que em vida. Foi seu modo de rir por último.”


    REPERTÓRIO
    “Não tem tradução” (Noel Rosa), por Aracy de Almeida com arranjo de Radamés Gnattali (1950)
    “Cansei de pedir” (Noel Rosa), por Aracy de Almeida com arranjo de Vadico (1955)
    “Feitio de oração” (Noel Rosa e Vadico), por Silvio Caldas com arranjo de Renato de Oliveira (1958)
    “Três apitos” (Noel Rosa), por Maria Bethânia acompanhada ao violão por Carlos Castilho (1965)
    “Silêncio de um minuto” (Noel Rosa), por Marília Batista com arranjo de Guerra Peixe (1962)
    “Pra que mentir” (Noel Rosa e Vadico), por Paulinho da Viola acompanhado por César Faria ao violão (1976)
    “Nuvem que passou” (Noel Rosa), por Cristina Buarque (1974)
    “Meu amigo Edgar” (Letra de Noel Rosa musicada postumamente por João Nogueira), por João Nogueira (1978)
    “Só pode ser você (Ilustre visita)” (Noel Rosa e Vadico), por Adauto Santos (1974)
    “Pra esquecer” (Noel Rosa), por Clara Nunes (1968)
    “Filosofia” (Noel Rosa e André Filho), por Chico Buarque (1974)
    “Espera mais um ano” (Noel Rosa), por Conjunto Coisas Nossas (1983)
    “Seja breve” (Noel Rosa), por Grupo Rumo (1981)
    “Com que roupa?” (Noel Rosa), por Gilberto Gil (1991)
    “Tarzan, o filho do alfaiate” (Noel Rosa e Vadico), por Djavan (1991)
    “Meu barracão” (Noel Rosa), por Caetano Veloso  (1991)
    “Palpite infeliz” (Noel Rosa), por Baden Powell (1982)
    “Último desejo”, por Nana Caymmi acompanhada por Rafael Rabello e Hélio Delmiro aos violões (1985)
    “Pastorinhas” (Noel Rosa e João de Barro), pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (s/d)
    “Século do progresso” (Noel Rosa), por Elizeth Cardoso (1978)
    “Quem ri melhor” (Noel Rosa), por MPB-4 (1987)
     

    • Posteridade: Noel Rosa revisitado - As histórias e os sons de uma época (Parte 1) 

    EXIBIÇÃO 17.12.2010, 15:00

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