O Miguel Couto do samba
A sexta edição desta série começa com Noel Rosa abandonando a faculdade de Medicina, ainda no primeiro semestre do curso.
Essa história está presente em qualquer biografia do poeta da Vila. E realmente ele não tinha nenhuma afinidade com a profissão, basta verificar os primeiros versos da música “Coração”, também conhecida como “Samba anatômico”.
“Coração, transformador do sangue venoso em arterial.”
Chamado à atenção pelo erro, ele corrige:
“Coração, distribuidor de sangue venoso e arterial.” Uma emenda pior que o soneto.
O título deste capítulo foi inspirado em conversa de Noel com um amigo da faculdade. Noel estava em dúvida: samba ou Medicina? Lauro deixou muita clara sua posição:
(Lauro) - Fica com a Medicina, Noel?
(Noel) - Fico com o samba. Veja uma coisa, Lauro: como médico eu jamais seria um Miguel Couto. Mas quem sabe não poderei ser o Miguel Couto do samba?”
O programa focaliza também o Rio de Janeiro no início dos anos 1930. E como tinha coisa acontecendo:
1) Pela primeira se realizava uma Copa do Mundo de Futebol, a do Uruguai.;
2) O Brasil saía de uma revolução que levou Getúlio Vargas ao poder;
3) A assinatura de um acordo ortográfico entre nosso país e Portugal, abolindo as letras k, w e y, que muitos diziam só servira para ajudar as editoras portuguesas a vender mais no Brasil;
4) O primeiro horário de verão adotado no país, às 11 da noite do dia 3 de outubro de 1931;
5) A recomendação de Getúlio Vargas, que jamais se dissesse não ao contribuinte que procurasse uma repartição pública pedindo ajuda.
E, claro, sendo um cronista de primeira, tudo era motivo para samba, em sua maioria com fina ironia.
No repertório do programa estão “Coração”, “Quem dá mais”, “Cordiais saudações”, “Por causa da hora”, “O pulo da hora”, “Samba da boa vontade”, “Picilone” e a raríssima “Tenentes do diabo”.
- O Miguel Couto do samba - Noel Rosa - As histórias e os sons de uma época
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