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  • Ilustre visita, trágico regresso

    Eduardo Weber | 15.10.2010

    O título deste episódio revela o que seria o ano de 1935 na vida de Noel Rosa.

    Foram três meses em Belo Horizonte. E assim que pisou em Vila Isabel, chegaram as novidades. Primeiro os boatos dos bares: "Noel estava mal...". Os boatos levaram Ceci à sua casa em busca de fatos, que virou motivo de música feita por um poeta bem mais saudável, casado e corado.

    João Máximo conta que foi em razão da ida de Ceci ao chalé em Vila Isabel que ele compôs “Só pode ser você”. O samba foi lançado na Rádio Guanabara pelo próprio compositor, sem antes mandar um recado para Ceci ouvi-lo, que por sinal não gostou do tratamento dado por ele a ela. Sutilezas de Noel.

    Como descrevem os autores, 1935 foi um ano tenso para o compositor. Em maio morre seu pai, ao cometer suicídio na Casa de Saúde da Gávea. Pouco depois, o parceiro Ismael Silva é preso por tentativa de homicídio. É um ano no qual Noel está mais solitário: sem Francisco Alves, com quem havia brigado; sem o pai e sem o amigo. Um ano em que o compositor volta a beber como nunca e como sempre esbanjando o seu descrédito pela vida, como fica claro neste diálogo:

    - Você precisa levar a vida mais a sério, Noel.
    - Olha, Jocelyn, pode ser que eu não consiga, mas vou tentar.
    - O que você vai tentar, Noel?
    - Nunca levar a vida a sério.
    - Mas por quê?
    - Primeiro, porque ela não é séria. Depois, porque a vida é curta demais.

    Esse diálogo reproduzido neste episódio de Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época revela a alma do compositor, que ao regressar da temporada em Minas Gerais seguia a vida como bem queria: Lindaura no Chalé, Ceci no lugar onde sempre esteve e ele nas ruas, parando nos botequins e fazendo sambas entre um gole de cerveja e outro de conhaque.

    Se para a música foi um ano de composições clássicas, como “Conversa de botequim”, para Noel Rosa o destino há muito vinha tecendo sua trama. E como escreveu João Máximo, “Aquilo que o destino dispõe, não há bom conselho que desfaça”.


    REPERTÓRIO

    “Para atender, a pedido” (Noel Rosa), com Marília Batista
    “Só pode ser você” (Noel Rosa e Vadico), com Aracy de Almeida
    “Você vai se quiser” (Noel Rosa), com Marília Batista
    “Mulher indigesta” (Noel Rosa), com Noel Rosa
    “Quem não dança” (Noel Rosa), com Noel Rosa e Ismael Silva
    “Boa viagem” (Noel Rosa e Ismael Silva), com Ismael Silva
    “Antonico” (Ismael Silva), com Alcides Gerardi
    “Cor de cinza” (Noel Rosa), com Aracy de Almeida
    “O X do problema” (Noel Rosa), com Aracy de Almeida
    “Por esta vez passa” (Noel Rosa), com Inácio Loyola e Conjunto Vozes do Outro Mundo
    “Conversa de botequim” (Noel Rosa e Vadico), com Noel Rosa
    “Vejo amanhecer” (Noel Rosa), com Mário Reis

    • Ilustre visita, trágico regresso - As histórias e os sons de uma época

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