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  • Fita de cinema

    Eduardo Weber | 11.11.2010

    Antigamente era comum você comentar com os amigos: “Fui ver uma fita ótima!”. Inclusive Noel Rosa deve ter usado essa expressão, pois o compositor gostava muito de cinema.

    Na infância ele não perdia as aventuras de Tom Mix, ainda silenciosas, que animavam as matinês cariocas. Mais tarde, estava por perto dos lançamentos e das novidades que a indústria cinematográfica distribuía pelo mundo afora e, naquele começo dos anos 1930, a grande novidade era o cinema falado.

    No primeiro momento essa novidade causou estranhamento entre os puristas da língua, pois rapidamente expressões foram incorporadas ao cotidiano da cidade, expressões estrangeiras, que motivaram músicas de Assis Valente, Jurandir Santos e de Noel Rosa. No caso do poeta da Vila, os versos de “Não tem tradução” soltam o verbo contra o cinema falado:

    “O cinema falado é o grande culpado transformação
    Dessa gente que sente que o barracão prende mais que o xadrez
    Lá no morro, se eu fizer uma falseta
    A Risoleta desiste logo do francês e do inglês”.

    Se a novidade mudou hábitos, criando motivo para o descrédito do compositor, logo ele faria as pazes com a sétima arte.

    Neste episódio da série Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época, João Máximo e Carlos Didier falam do papel do compositor no cinema brasileiro, inclusive a partir do primeiro filme sonoro produzido no país, Cousas nossas, a fonte inspiradora do samba “São coisas nossas”.

    Destaque para músicas de Noel Rosa registradas no cinema, como em A voz do Carnaval, de Ademar Gonzaga e Humberto Mauro; Alô, alô, Carnaval, também de Ademar Gonzaga; e especialmente Cidade Mulher, filme em que Noel Rosa compôs seis músicas, entre elas “Dama do cabaré” e “Tarzan, o filho do alfaiate”.


    REPERTÓRIO

    “Goodbye boy” (Assis Valente), por Carmen Miranda
    “Alô, John” (Jurandir Santos), por Jurandir Santos
    “Não tem tradução” (Noel Rosa), por Francisco Alves
    “Mas como... outra vez? ((Noel Rosa e Francisco Alves), por Francisco Alves
    “Até amanhã” (Noel Rosa), por João Petra de Barros
    “Cantoras do rádio” (Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro), por Carmen e Aurora Miranda
    “Amei” (Nássara e E. Frazão), por Francisco Alves
    “Cadê Mimi” (João de Barro e Alberto Ribeiro), por Mário Reis
    “Muito riso e pouco siso” (João de Barro e Alberto Ribeiro), por Dircinha Batista
    “Seu Libório” (João de Barro e Alberto Ribeiro), por Vassourinha
    “Pierrot apaixonado” (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres), por Joel e Gaúcho
    “Não resta a menor dúvida” (Noel Rosa e Hervê Cordovil), por Bando da Lua
    “Dama do cabaré” (Noel Rosa), por Orlando Silva
    “Tarzan, o filho do alfaiate” (Vadico e Noel Rosa), por Almirante
    “Morena sereia” (Noel Rosa e José Maria de Abreu), por Caola
    “Na Bahia” (Noel Rosa e José Maria de Abreu), por Conjunto Coisas Nossas
    “Que baixo” (Noel Rosa e Antonio Nássara), por Aracy de Almeida

    • Fita de cinema (Parte 1) - As histórias e os sons de uma época

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