Entreato mineiro
Noel Rosa estava casado. Casado e doente. Doente e sem dinheiro. Sem dinheiro como de resto sua família, que vivia num aperto danado, sustentada somente pelo esforço de sua mãe, Dona Martha, que segurava como podia a ordem do lar: marido internado, filho mais novo estudando, nora morando em casa e o Poeta da Vila tossindo sem parar... Assim começa o ano de 1935. Com esses fatos começa este episódio da série de Noel Rosa, as histórias e os sons de uma época.
A primeira história é a do dinheiro conseguido por uma ação de amigos. O suficiente para Noel e sua jovem esposa Lindaura partirem numa viagem de 16 horas rumo à Belo Horizonte, com o objetivo dele se livrar do mal, da doença. Ficaria na casa da tia Carmen, uma senhora sóbria, discreta e severa em seus julgamentos, que culpava o rádio, o samba e a vida boêmia pelos pulmões doentes do sobrinho. João Máximo e Carlos Didier contam que ela fez um juramento: obrigar Noel Rosa a se comportar de maneira correta na pacata capital mineira dos anos 1930. Seria possível?
No desenrolar do programa fica claro que era uma missão para um astro do cinema, com fundo musical do compositor Lalo Schifrin. Logo o passeio da tarde dá lugar à escapada noturna. A bebida que era pra ser tomada quente, passa a ser a loura gelada de antes. A atenção que deveria ser total à Lindaura, é conseguida por mulheres da vida boêmia. E o samba, que era pra ser derrotado...
A passagem do Poeta da Vila pelas Alterosas foi de cinco meses. Tempo suficiente para um capítulo inteiro de histórias e curiosidades envolvendo um burro, um desembargador, um guarda, novas amizades, sambas gravados décadas depois, personagens da vida social de Minas Gerais e parodias, como as que ele fez sobre a música “I’m looking over a for leaf clover”, que no Brasil ficou conhecida com a versão “Trevo de quatro folhas”.
E fica uma pergunta no ar: depois da temporada em Belo Horizonte, como ficou o estado de saúde de Noel Rosa ao voltar para o Rio de Janeiro? Ouça o programa até o fim e você saberá.
REPERTÓRIO
“Pela décima vez” (Noel Rosa), com Aracy de Almeida
“Disse me disse” (Noel Rosa), com Conjunto Coisas Nossas
“Seja breve” (Noel Rosa), com Luiz Barbosa e João Petra de Barros
“I’m looking over a four leaf clover” (Mort Dixon e Harry Woods), com Russ Morgan e sua orquestra
“Loura ou morena” (Paulo Tapajós e Vinicius de Moraes), com Joel de Almeida
“Linda morena” (Lamartine Babo), com Mário Reis e Lamartine Babo
“Linda lourinha” (João de Barro), com Sílvio Caldas e os Diabos do Céu
“Atchim!” (Noel Rosa – musicada postumamente por Hamilton Sbarra), com Aldacyr Louro
“Triste cuíca” (Noel Rosa e Hervê Cordovil), com Aracy de Almeida
- Entreato mineiro - As histórias e os sons de uma época
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Especial Noel - 100 anos
- Posteridade: Noel Rosa revisitado
- Posteridade: o fim da história
- Posteridade
- Um gosto de despedida
- O dom de saber iludir
- Fita de cinema
- Operetas e conversas de esquina (Parte 2)
- Operetas e conversas de esquina (Parte 1)
- No picadeiro da vida
- Ilustre visita, trágico regresso
- Entreato mineiro
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- Rumo ao Norte
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- Em boa companhia (Parte 2)
- Em boa companhia (Parte 1)
- Um parceiro e duas intérpretes
- Onde estão os madrigais? (Parte 2)
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- Do chá das quintas ao café no Nice
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- Um certo Ismael (Parte 2)
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- O Miguel Couto do samba
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- Um bando de pássaros
- Entre a cruz e o violão
- Crescendo com bossa
- Na cauda do cometa
- As histórias e os sons de uma época
- Leia o texto de apresentação do especial de 1992