Associação preserva memória do Trem das onze
Adoniran Barbosa nunca morou no Jaçanã. Mas imortalizou o bairro a 13 quilômetros do centro de São Paulo com o seu "Trem das onze". O compositor frequentou o Jaçanã nos anos 1950, época em que atuou nos filmes da Cinematográfica Maristela. Ele fez parte do elenco de produções como Carnaval em lá menor, Meu destino é pecar e A pensão de Dona Estela, ao lado de Randal Juliano. A fase de ator de cinema é um dos destaques da Associação Memória do Jaçanã, instituição que tem o compositor como a mais ilustre figura da história do bairro. O presidente da entidade, Sylvio Byttencourt, conta que Adoniran saía do Liceu de Artes e Ofícios, no centro da cidade, e seguia de trem para as filmagens no Jaçanã. Depois circulava a pé pelas ruas do bairro, como a Guapira, tomava café e conversava com os moradores.
Muito popular no Jaçanã, a história de João Rubinato, o Adoniran, permanece viva no bairro eternizado na música "Trem das onze". O centenário de nascimento do compositor (6/8) movimentou a entidade que guarda fotografias, documentos e alguns objetos que pertenceram ele, como o chapéu doado pela esposa Matilde de Lutts Rubinato.
A Associação Memória do Jaçanã precisa de apoio financeiro para a preservação do acervo, guardado em instalações precárias e com infiltrações. Mas as dificuldades não impedem a conservação de histórias que permanecem vivas na memória de homens como Antônio de Castro, maquinista por 19 anos no famoso Trem das Onze.
Para quem quiser conferir as peças, o endereço da Associação Memória do Jaçanã é Rua São Luis Gonzaga, número 156, em São Paulo. E funcionamento é de terça a sexta, das duas às cinco da tarde, e aos sábados das nove ao meio-dia e das duas à cinco da tarde.
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